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15 de dez. de 2010

22 de nov. de 2010

Teleanálise: A fita branca

TELEANÁLISE, por Malu Fontes*


A Fita Branca
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Três acontecimentos bárbaros e tradutores do grau incompreensível a que pode chegar a intolerância de pessoas tidas socialmente como normais foram amplamente noticiados nos telejornais durante a semana. Nos três, a marca do ódio cego, burro, animalesco e indistinto por um outro a quem sequer o agressor conhece, sabe de quem se trata, se tem nome, passado, futuro, sonhos, planos, memórias, família, afetos, enfim, uma vida para trás e para a frente.
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No fim de semana, em São Paulo, três rapazes foram brutalmente agredidos. Foram chutados, espancados e tiveram os rostos talhados por cacos pontiagudos de lâmpadas fluorescentes retiradas do lixo por cinco adolescentes, em plena Avenida Paulista. Os agredidos: rapazes em quem os agressores enxergaram signos de homossexualidade, razão considerada suficiente para despertar as agressões; os agressores: cinco garotos bem nascidos, o mais velho com 19 anos, bem criados, alunos de boas escolas privadas e com ódio a homossexuais, sentimento declarado explicitamente durante os ataques, sem motivos, segundo testemunhas.
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FAXINA DE GENTE - No Rio de Janeiro, dois rapazes homossexuais na faixa de 20 anos foram abordados, após a Parada Gay que ocorreu na cidade, por homens com farda do Exército e que se identificaram como militares. Foram ofendidos, xingados, agredidos e um deles levou um tiro na barriga só por ser quem era, por estar onde estava, pois não cometera uma infração sequer. Os militares simplesmente argumentaram que odiavam essa ‘raça’, referindo-se aos gays. Em Maceió, foi executado o 32º morador de rua, em menos de um ano. Ninguém foi preso ou está respondendo a processo pela faxina de gente que vem sendo feita nas ruas da cidade.  
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O cardápio de manifestações de ódio chega aos borbotões pela TV: um garoto não gostou da nota baixa, no Rio Grande do Sul, e literalmente, quebrou a professora inteira. No trânsito, em Salvador, o motorista de uma BMW, ao ver os fundos amassados por um caminhão, encarnou o acertador de contas e, com uma daquelas pedras que a Prefeitura adora mandar pintar de branco para contrastar com a grama verde, enfrentou o caminhoneiro estilhaçando-lhe o vidro. O tal, por sua vez, desceu armado de um facão, perseguindo o opositor, produzindo cenas inverossímeis para a TV, captadas por câmeras de segurança existentes nas imediações do conflito. 
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O mundo evolui financeiramente, cientificamente, tecnologicamente, mas o mau e velho homem continua o mesmo, entupido de conhecimentos e saberes, mas explodindo de ódio pelo semelhante. Diante das narrativas de violência por intolerância ao ‘outro’ difuso e do desrespeito por o outro que escolhe para a sua vida algo diferente daquilo que os fiscais da moralidade alheia apregoam como certo, o filme A Fita Branca, de Michael Heneke (quem gosta de narrativas óbvias e previsíveis, nem tente), ilustra como um clima de ódio pode fermentar-se entre uma sociedade até explodir, lá na frente, em manifestações bélicas explícitas. Não, não se está falando de violência urbana, do assaltante drogado, dos tiroteios entre Polícia e bandido, mas do ódio indiscriminado e primitivo, de gente contra gente, por razões as mais incompreensíveis, de gente contra gente apenas por não tolerar que o outro tenha modos diferentes dos seus de ser, estar e circular no mundo. É bom não banalizar a onda de preconceitos manifestada, sobretudo nas redes sociais na Web, por grupos de eleitores do sul e do sudeste contra os nordestinos, em consequência dos resultados das eleições presidenciais.  
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SARIGA E MERENDA - E por falar em eleições, no campo político dois episódios locais merecem ser associados: o presidente da União das Prefeituras da Bahia, Roberto Maia, advertiu durante a semana, em entrevistas, à imprensa, que, se o salário mínimo continuar a subir acima da inflação, conforme o governo está anunciando, isso levará as pobres prefeituras baianas a comprometer seus investimentos em favor de melhorias para a população, pois o reajuste inviabilizará o poder de gastos dos prefeitos nos municípios, nesses termos. Não diga, prefeito, que o problema que leva a quase totalidade dos municípios brasileiros e baianos a ter péssimas gestões é conseqüência do valor alto do salário mínimo... Além de soar incompreensível para quem o ganha para sobreviver e não ser acusado de parasitar o país via bolsas de distribuição de renda, nem os melhores marqueteiros ou lavadores de imagens podres do mundo poderão convencer a população a crer nisso, sobretudo quando dito em uma mesma semana em que mais de meia dúzia de prefeitos baianos foram presos na Operação Carcará (a ave que pega, mata e come) por roubar, sim, roubar, cerca de R$ 300 milhões que deveriam ter sido usados em merenda escolar. 
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Não há reajuste de salário mínimo que faça o senso comum acreditar em falas políticas dessa natureza, quando o que se vê na TV é uma quadrilha de prefeitos presos por, literalmente, roubar comida de criancinha. Nesta mesma semana, um ser humano, desescolarizado desde sempre, animalizado pelo uso de crack e que atende pelo sonoro e inspirador nome de Sariga, ao roubar um relógio, empurrou para a morte por atropelamento um homem no centro de Salvador, fato registrado por câmeras de um circuito de segurança. Não custa lembrar que quantos mais prefeitos ladrões de merenda e de oportunidade escolar existirem, maiores as chances de produção de centenas, milhares de Sarigas, multiplicando-se pelas ruas do país. A diferença é que Sariga foi preso e vai apodrecer na cadeia. Os prefeitos presos? Foram todos soltos nas horas seguintes às prisões, o que significa que novos Sarigas, sem escola e sem merenda, virão por aí, para matar e serem mortos, como o de Salvador e como os sem teto de Maceió, produzindo cenários que fermentam e fomentam intolerância, ódio, medo e violência.  
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*Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado em 21 de Novembro de 2010 no jornal A Tarde, Salvador/BA. maluzes@gmail.com

11 de nov. de 2010

Sexualidade da criança – atenção para pais e educadores

Por Maria Helena Vilela

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É difícil para o adulto aceitar que é natural a criança sentir prazer sexual. Mas, é na infância que construímos os alicerces que compõem os elementos centrais da sexualidade: a vinculação afetiva, a configuração da imagem corporal, a identidade sexual básica como homem ou mulher, a segurança e conforto como ser sexual, os medos e as preocupações... e também as sensações eróticas.
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Quando pensamos em prazer sexual, imediatamente nos remetemos à excitação sexual e ao orgasmo. Mas para chegarmos até aí, antes, foi importante vivenciar outras formas de prazer decorrentes da descoberta do corpo, do carinho e da intimidade que irão interferir diretamente na relação afetivo-sexual, permitindo a entrega, a confiança e a cumplicidade.
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Tudo começa no decorrer do primeiro ano de vida. A primeira fase é aquela que Freud chamou de fase oral, na qual a sucção é a manifestação sexual característica. Mas, o prazer não está unido, apenas, à estimulação e à riqueza de sensações da mucosa da cavidade bucal e dos lábios. O alimento, o leite materno ou de mamadeira, morninho, desliza pelo seu aparelho digestivo, aliviando a dor causada pela fome. Neste momento, além de saciar, o ato de amamentar propicia o aconchego e o calor do colo materno, a conversa e a troca de olhares. Este contato materno propicia a consolidação da imagem corporal, o estabelecimento de zonas erógenas e a experimentação de emoções e sentimentos associados às sensações de prazer e desprazer que ajudam a confirmar o vínculo afetivo.
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É a forma como a criança é atendida em suas necessidades que dá a ela a dimensão de sua importância e a aprendizagem do amor. A criança ama do jeito que se sente amada. Por isso, que acredito que a melhor forma do professor ensinar um aluno a amar e a ter auto-estima é amando, respeitando e valorizando suas necessidades.
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Em torno do segundo ano de vida, a criança adquire a capacidade de aumentar a percepção e a coordenação motora. Ela consegue cada vez mais explorar o ambiente, adotar maneiras de expressar emoções e perceber a importância do controle de certas vontades. É o início da sociabilização! Quem exerce maior influência neste processo são os pais, mas os professores também significam muito para os seus alunos e despertam neles, o desejo de agradá-los e sentir confirmado seu bem querer e aprovação.
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Para a criança sentir prazer nesse processo de aprendizagem ele precisa ser gradativo, desenvolve-se num contexto de baixa tensão e sem desgaste emocional dos pais ou educador. A criança é simplesmente levada a imitar o comportamento correto e recompensada sempre que o fizer.
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Aos 3-4 anos de idade, por meio da observação, manipulação e percepção das sensações corporais, a criança faz a diferenciação sexual de si e do outro, descobrindo que quem tem “o pipi para fora” é homem e o “pipi encoberto” é mulher. É um período de investigação sexual. Daí surgirem os famosos porquês. Como se de repente a criança começasse a enxergar as coisas. Ela precisa conhecer e entender o que acontece à sua volta. Através de perguntas, vai testando as diferenças entre os sexos (homem tem barba, mulher tem seios) e demonstra interesse tanto em relação aos adultos como a outras crianças.
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Os bebês pequenos e as barrigas de mulheres grávidas exercem grande atração sobre ela, desencadeando uma série de perguntas do tipo: Como se faz um bebê? Como ele entrou na barriga? Por onde saiu? As respostas devem ser dadas numa linguagem que a criança compreenda: clara, curta e convincente. Se a criança voltar a perguntar a mesma coisa para outra pessoa, não se irrite e nem se sinta frustrado na sua resposta - crianças costumam testar as respostas dadas.
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Mas a curiosidade não para aí! Descobre que é gostoso tocar em determinadas partes do corpo, principalmente a região genital. E tudo que lhe causa prazer, ela tende a repetir. É quando pode começar os episódios de masturbação, se bem que o termo não me parece apropriado para essa fase. A masturbação envolve pensamento erótico e isso a criança ainda não tem. O adequado é falar manipulação dos genitais.
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Nesta fase, que Freud designou de genital, se constrói, entre outras coisas, o alicerce da intimidade com o prazer genital. Quando a criança pode identificar e perceber as sensações que seu corpo é capaz de produzir, isto permite uma intimidade consigo mesma, que será importante por toda a sua vida.
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Esta fase, no entanto, costuma ser crítica dentro da escola, porque em geral os professores não sabem que atitude tomar ao surpreender a criança tocando nos genitais. Em vez de fazer a adequação deste comportamento sexual para o ambiente social, o adulto acaba entrando em pânico e não fazendo nada; e, a criança, não aprendendo as regras e repetindo o ato. Na escola, o professor deve lidar com naturalidade diante da manifestação sexual das crianças, mostrando claramente que aquilo é natural, mas, que o local e o momento não são adequados. Para a criança compreender melhor, se pode ensinar o conceito de público e privado, dizendo que os genitais são partes íntimas que não ficam expostos e, portanto, não devem ser tocado na frente de outras pessoas. Mas, atenção! Se depois desta conversa a criança continua a se toca de maneira insistente, o professor deve ficar atento ao fato da criança estar querendo para chamar a atenção, ou ser de ser examinada por um pediatra para avaliar a possibilidade de alguma coceira ou infecção nesta região.
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Brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança. Através da brincadeira, ela treina ações futuras, aprende novos papéis, ensaia como deve ser o comportamento esperado do seu sexo, elaborando as informações que foram transmitidas para ela.
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E, assim, vai atravessando diversas etapas no processo de identificação sexual: no início, imita as pessoas que têm para ela grande valor afetivo. Depois, ao descobrir que é homem ou mulher, trata de repetir os comportamentos da pessoa do mesmo sexo.
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Através destas vivências, a criança incorpora aspectos de seu cotidiano que vão reforçar ou inibir a sua identificação com pessoas do mesmo sexo. Neste processo, é importante que reconheça no pai e na mãe que vale a pena ser desse sexo. E mais: que o progenitor do mesmo sexo seja valorizado pelo do sexo oposto.
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A escola deve estar atenta a essas situações e os pais devem orientar suas crianças desde cedo a exercer a sexualidade com responsabilidade.
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*Maria Helena Vilela é educadora sexual e diretora do Instituto Kaplan.

13 de out. de 2010

TELEANÁLISE, por Malu Fontes

O plebiscito do aborto -
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Marina Silva, a candidata do Partido Verde à Presidência da República, derrotada no primeiro turno das eleições no último domingo, conseguiu o que queria. Como ela mesma disse, ‘perdeu ganhando’. Saiu das urnas com 20 milhões de votos e impediu o que ela chamava de consulta plebiscitária nas urnas, entre Dilma Roussef, a candidata do Governo, e José Serra, o candidato da oposição. Os votos de Marina, mesmo que tucanos ingratos de alta plumagem, como o senador Álvaro Dias, neguem peremptoriamente essa tese, determinaram, sim, a existência do segundo turno. Os eleitores de Marina são os órfãos ideológicos de um PT de tempos puristas e os famintos de ideologias. Votando nela, parte desse eleitorado acreditava piamente estar submetendo a campanha eleitoral a uma lavanderia ética obrigatória. Num outro extremo de perfil, a chapa de Marina serviu de abrigo para os votos dos eleitores religiosos mais dados ao radicalismo, desconfiados de Dilma e Serra quanto ao apoio futuro a uma eventual legislação de descriminalização do aborto.
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No frigir dos ovos e por caminhos transversos, a turma da lavanderia ética levou a campanha mesmo, pelo que se viu até aqui, não para uma disputa eleitoral, mas para um plebiscito em torno do aborto e para uma olimpíada de mensuração do índice de religiosidade. O plebiscito do aborto não era uma das teses de Marina? Pois, de novo, conseguiu o que queria. O século catorze vai longe no tempo, mas nas idéias, nem tanto. Religiosa e explicitamente contra a legalização do aborto, Marina, sempre que questionada sobre o assunto, ensaboadamente dizia que era a favor de um plebiscito, postura típica de quem não quer sujar as mãos e se queimar com o eleitorado moderninho e semi-politizado. Todo mundo que é contra mudanças na legislação do aborto e não quer ficar mal na fita com a galera, propõe um plebiscito, justamente por estar certo de que tal estratégia teria um efeito absolutamente favorável a quem não quer mudança nenhuma.
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COM DEUS - Plebiscito sabidamente não é instrumento para definir rumos que um país deve dar, além da cadeia, a um de seus grandes problemas de saúde pública. O problema é que os contrários à mudança acham que este é um tema de Deus, das religiões, e não da saúde e ou do direito individual das mulheres escolherem se querem ou não ter um filho em determinado contexto e momento. O que as religiões têm a ver com os códigos de lei de um país? Os cardeais e seus rebanhos acham que têm tudo. O Estado brasileiro não é laico? Sim, mas só meia dúzia de pessoas sabe o que é isso, enquanto milhões acreditam mesmo é nos dogmas de suas igrejas. Só desmiolados ou gente feita de pura inocência, como a senhorinha Roriz, por exemplo, não sabe que 11 entre cada dez famílias religiosas, que um dia já se livraram de um neto ou sobrinho indesejado, votarão mil vezes contra a descriminalização do procedimento em um plebiscito. A demonização da legalização do aborto não é tema de campanha eleitoral, mas de salão de igreja e de hipocrisia social. E não vale a tese batida pelos fãs de Nosso Lar de que o aborto, se descriminalizado, será transformado num mecanismo banal de contracepção, usado como uma camisinha. Mais canalha ainda é a tese de que haverá uma carnificina de fetos. Aponte-se, então, um país do mundo onde a legislação apartou-se de vez da fé e da religião, descriminalizou o aborto e houve aumento nos índices do procedimento. Em nenhum aconteceu isso.
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Na primeira semana após as eleições, ao invés de grandes comemorações ou manifestações de decepção por conta da candidatura que cogitava fortemente a possibilidade de vencer o processo no primeiro turno, o que veio à tona, em tons nada explícitos e embalado em subterfúgios e até enviesado em discursos que têm Deus à frente, foi o aborto. Num tom talvez inspirado em algum saudosismo ancorado em tempos medievais, o que prevaleceu nos microfones e nas manchetes foi uma palavra de ordem na linha “com Deus e pela vida”. A presença do aborto na campanha, nas primeiras horas após o resultado do primeiro turno, não se deu nem em formas nem em termos claros. Quando apareceu na TV após o segundo turno, mais gordinha e em seus terninhos muito distantes do desejo daqueles que esperam que Alexandre Herchcovitch desse um jeito em seu figurino, Dilma Roussef olhou para as câmeras e, numa postura serena e terna, afirmou em tom solene que ela é a favor da vida e vem de uma família extremamente católica. Dava assim o seu recado aos fundamentalistas da fé que já acreditaram que comunista come criança. Pela vida significa, nesta campanha, ser contra mudanças na legislação sobre o aborto.
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ÚTERO - O tom medieval pode esconder-se em tabu na fala de Dilma e escancarar-se nas palavras de Serra, mas apareceu em todo o seu esplendor de pavão na primeira entrevista dada à TV por Luiz Bassuma, candidato derrotado do Partido Verde ao governo da Bahia. O deputado, ex-petista, disse apoiar Serra porque não vai apoiar uma candidata que defende “a legalização da matança de criancinhas”. Nestes termos literais. Roteiro de filme trash de terror tem frases de efeito menos trevoso.
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Nesses primeiros dias pós primeiro turno, tem-se a impressão de que aquilo que está em debate não é um projeto A ou B para o país. O que se discutiu até agora foi se Serra é mais ou menos cristão que Dilma e vice-versa; se o eleitor deve seguir, para votar, a orientação religiosa dada por Silas Malafaia, por Edir Macedo ou pelos cardeais da Igreja Católica. A prevalecer a lógica discursiva adotada nesses primeiros dias de campanha do segundo turno, os oito milhões e meio de quilômetros quadrados da extensão territorial brasileira e a montanha de problemas cruciais enfrentados por mais de 190 milhões de brasileiros serão reduzidos a um território ínfimo do corpo das mulheres brasileiras em idade reprodutiva: o útero.
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Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado em 10 de Outubro de 2010 no jornal A Tarde, Salvador/BA. maluzes@gmail.com

18 de set. de 2010

Teleanálise: Os donos da lei

*Por Malu Fontes
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A cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil e, a cada dia, 10 mulheres são assassinadas no país. Os dados são atualíssimos, levantados pelo Mapa da Violência no Brasil. Os agressores são, quase que invariavelmente, o namorado ou o ex, o marido, o companheiro ou o ex. Enquanto os telejornais nacionais ainda voltam-se quase que diariamente para os crimes, ainda insolúveis, cometidos contra Mércia Nakashima e Eliza Samudio, e silenciam, dada a quantidade de casos semelhantes diários e impossíveis de serem todos abordados, sobre todos os outros milhares ocorridos desde a morte/desaparecimento das duas, a TV local apresentou nesta semana a sua própria Eliza-Mércia. Em Salvador, a família de Marleide de Oliveira Junqueira, 37 anos, está desesperada com o seu desaparecimento, há mais de 20 dias, e acusa seu namorado de estar envolvido no que quer que tenha ocorrido.

O mais impressionante dos dados levantados pelo Mapa da Violência é a discrepância de sentido entre o que dizem os entrevistados homens sobre a agressão moral, psíquica e física cometida contra a mulher e os índices dessas mesmas agressões, apontados pelo Sistema Único de Saúde e pelos boletins de ocorrência das delegacias de todo o país. Ou seja, a menos que se acredite que as mulheres brasileiras são agredidas, espancadas, assassinadas e, em graus muito mais quantitativos, ofendidas moralmente e submetidas a sofrimento psíquico entre quatro paredes, por ETs que vêm de Marte, pode-se deduzir que os mesmos machos que, no espaço público, são quase militantes antiviolência contra a mulher, são, eles próprios, os agressores contumazes dos índices.
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TIROS - Os mesmos homens que se dizem contra, levando-se em conta o percentual da discordância masculina nas pesquisas quanto à violência dessa natureza, são, também, os responsáveis pela chegada das mulheres a delegacias, hospitais, consultórios médicos ou cemitérios. É a velha tese: diz-se uma coisa, faz-se outra. Que o diga o ex-namorado de Mércia Nakashima, capaz de absorver toda a produção de óleo de peroba do mundo quando sustenta que nada tem a ver com os tiros deflagrados contra a advogada, cujo corpo foi encontrado dentro de um carro submerso numa lagoa.
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Nos casos diariamente veiculados na TV, representativos dos milhões de outros que ocorrem nesse instante nas melhores famílias brasileiras e que jamais virão a público, o que paira, depois do machismo histórico nacional que corticaliza nos homens a certeza de que as mulheres são suas e devem funcionar como se fossem passíveis de comando por um controle remoto acionado pelo desejo deles, é o pântano que norteia muitas relações amorosas estranhíssimas, perigosamente e lentamente construídas na intimidade dos casais. Esse é o território que fermenta os desfechos de casos como o de Eliza, Mércia e Marleide, nos quais as motivações da doença da agressividade resumem-se, quase todas, a ciúmes, vontade de controle e à certeza, por parte de muitos homens, de que, diante de uma mulher a quem eles dizem amar, são os donos de um código de leis privativo que vão ditar sempre que quiserem e ao qual elas devem obedecer.
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Dois filmes recentes, e mais densos que ilustrativos da condição feminina no mundo, traduzem para além de suas respectivas poéticas trágicas, a violência que o mundo dos homens é capaz de cometer contra as mulheres: Vincere, sobre a primeira mulher de Benito Mussolini e como o poder masculino sabe e pode adoecer e matar uma mulher literalmente quando ela não se adequa ao papel da atriz mentirosa que deveria atuar em sua própria vida, negando suas próprias certezas e desejos; e Hanami/Cerejeiras em Flor, sobre como o mais apagado e bundão dos maridos pode ser um assassino em potencial de desejos, projetos e sonhos femininos, sem deixar rastros visíveis de violência ao longo de uma vida num casamento.
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BARRACO - O fato, diante da violência de todos os tipos contra as mulheres, noticiados dia sim e outro também nos melhores e piores telejornais do país, é que, sob a imagem corriqueira de um casal na rua, pode haver um disfarçado e violento legislador da alma feminina. Impotente e certo da sua incapacidade de habitar os desejos e a natureza do seu objeto de prazer e posse, e mais ainda, de comandá-los, é um agressor em potencial. Diante de qualquer frustração, pode e vai lançar mão de armas que muitas mulheres, quando as identificaram como ameaça era tarde demais. E não vale aqui as mães zelosas e suas filhas castas acharem que Eliza Samudio morreu porque era puta. Antes de acionar os mecanismos do julgamento moral torto para justificar violência, que olhem para seus maridos comportados, seus pais provedores, seus irmãos do bem, seus namorados, e lembrem-se que, sem eles como clientes, não haveria putas.
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Às mulheres, o diagnóstico que as leva para os centros de tortura, na linha dormindo com o inimigo é, quase sempre, a síndrome torta da cobertura. Quando apaixonadas, as mulheres, diante de um homem-barraco, sempre acham que vão transformá-lo numa cobertura, quem sabe até num dúplex. Auto-engano do bom. Um barraco nunca será uma cobertura. No máximo será um armengue, um barraco maquiado que, diante de qualquer ventinho, vai mostrar do que é feita sua estrutura interna e sua base essencial. Mas nenhuma mulher é proibida de tentar. E disso são feitas tanto as equações das tragédias vistas na TV quanto das silenciadas nos recônditos privados: uma mulher que se crê capaz de transformar barracos em cobertura e homens que se dizem radicalmente contra a violência e, na intimidade, quando vêem seus códigos de leis contra a alma alheia desobedecidos, incorporam um Jack básico, o estripador. O principal desafio do combate à violência masculina contra a mulher é que, quase sempre, ela só se torna pública e crível quando se derrama e torna-se irreversível.
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*Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado em 12 de Setembro de 2010 no jornal A Tarde, Salvador/BA. maluzes@gmail.com

13 de set. de 2010

“Direitos... queria tê-los!”

Por Louise Cibelle

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Parecia tudo normal - pelo menos para quem costuma frequentar teatros em Salvador -, o velho clima de deboche, o sotaque frenético dos atores baianos, a interação com a plateia, as danças, as músicas e as gargalhadas. Em alguns momentos, dava para se sentir na poltrona do Teatro Vila Velha assistindo ao consagrado Bando de Teatro Olodum, tamanho o profissionalismo daquele grupo composto por apenas 5 adolescentes. 
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Mas não era normal. (Não me parece normal uma mãe ou um pai abandonar seu filho, não parece normal um jovem largado nas ruas resistir à tentação das drogas e, muito menos, não me parece normal, ou comum, uma instituição abraçar todas essas crias, amando-as e educando-as como uma verdadeira família deve fazer, mesmo sem receber ajuda financeira por meses a fio).
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Sobre esse último recém-fechado parêntese, abrirei mais um (a tal instituição atende pelo nome de ICAJ - Instituição Cristã de Amparo ao Jovem – e mantém ações voltadas ao abrigo de pré-adolescentes e adolescentes do sexo masculino, órfãos ou impossibilitados do convívio familiar. Eles são encaminhados pelos conselhos tutelares, Ministério Público do Estado ou pelo Juizado da Infância e Juventude. Mas o detalhe mais importante e triste é que, neste ano, nenhum centavo da verba, que deveria vir da Prefeitura de Salvador, foi repassado a eles).
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Bom, voltando à peça, algumas informações eu disponho e, no momento, posso fornecê-las: o grupo de teatro chama-se ICAJmania e a peça tem o título “Direitos... queria tê-los!”. O roteiro é de Azor Filho - coordenador da instituição -, com poemas de Deodato Rivera. Só não me perguntem a duração do espetáculo, pois, sinceramente, eu não vi o tempo passar.
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O que posso dizer com propriedade – depois de conversar com a pedagoga Lícia Bastos, a assistente social Inês Rosa, o próprio Azor e os talentosos abrigados – é que o projeto começou como uma brincadeira de final de ano. “Nosso objetivo sempre foi, no riso ou no choro, despertar a solidariedade de quem está de fora. Quando vimos que levávamos jeito, resolvemos que esta seria uma forma de captar recursos para nos manter”, explicou-me o coordenador.
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E, por falar em choro, como refrear as lágrimas quando se ouve de um menino de 17 anos que a primeira vez que escutou “eu te amo” foi há pouco, muito depois de perder o contato com sua família? Como não me achar, no mínimo, frívola, ao perceber que - enquanto meu futuro sempre esteve traçado por meus pais, que mantinham uma poupança para os meus estudos -, um menino, que não sabe o paradeiro dos pais (ou, com razão, nem quer saber), é só sorrisos porque conseguiu a oportunidade de prestar vestibular e ser alguém (um engenheiro mecânico, imagine só!)?
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Como já dizia Shakespeare, em Hamlet: "há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia". Existem ações, reações, relações, interações (e outros "ções" mais) entre humanos que ainda são desconhecidas as causas. O porquê de uma mulher rejeitar um filho? O porquê da violência? O porquê do ódio? O que é o amor? Enfim, vale à pena sair do casulo vez em quando e constatar que a vida é mais do que a diferença entre o carro que você e o seu vizinho têm.
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E fica a dica para quem ficou interessado no espetáculo: neste final de semana (18 e 19), às 19h, haverá mais apresentações. Será na Sede da ICAJ, que fica na Rua Cael, nº 29 – Acupe de Brotas (subindo a ladeira do Acupe, a rua Cael é a segunda entrada à direita). Os ingressos podem ser adquiridos no local pelo valor de 5 ou 10 reais (de graça, gente!). Vale muito a pena conferir!

3 de set. de 2010

Artigo: A Indústria da Moda como estratégia para o desenvolvimento de Itapagipe

*Por Rosemma Burlacchini Maluf 
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A Península de Itapagipe vem experimentando desde 1997 diversas iniciativas voltadas para o seu desenvolvimento, resultantes de um acordo de cooperação de um grupo de instituições, na sua maioria públicas, capitaneadas, na época, pelo Banco do Nordeste/PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Governo do Estado e Prefeitura Municipal.
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É fruto de um processo participativo de construção coletiva, congregando moradores, empreendedores, entidades e instituições com intervenção no local, que já produziram resultados importantes para a região, com reflexos positivos para o restante da cidade. Tem como destaque o fortalecimento organizacional, o fortalecimento do capital social, a integração das instituições que atuam no território e a construção coletiva do Plano Referencial de Desenvolvimento Sustentável da Península de Itapagipe (metodologia GESPAR).
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A ação apresenta o diagnóstico, objetivos, estratégias e propostas concretas para impulsionar o desenvolvimento local, sendo eleito como prioritário o Plano de Desenvolvimento dos Setores Produtivos, através do incentivo ao empreendedorismo e às atividades produtivas inerentes à cultura e potencialidades locais, a exemplo da industria do vestuário.
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O Projeto do APL de Confecções da Rua do Uruguai e entorno foi concebido como uma estratégia para o desenvolvimento da Península de Itapagipe, alinhado com as diretrizes do Plano Referencial de Desenvolvimento Sustentável da Península de Itapagipe. O lançamento do Programa de Requalificação da Península de Itapagipe - projeto de Responsabilidade Social Empresarial do shopping Bahia Outlet Center -, aconteceu em abril de 2003, em conjunto com os parceiros institucionais (SEBRAE, FIEB, Governo do Estado e Prefeitura Municipal).
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A proposta do projeto piloto era aproveitar e dinamizar as potencialidades e vocações locais, e posteriormente, agregar ao produto (moda) características da nossa identidade cultural como diferencial competitivo. E assim, considerando o APL como “centro dinâmico” do desenvolvimento local, a partir do fortalecimento do Pólo Industrial de Confecção Rua do Uruguai (epicentro do projeto APL), promover uma dinâmica social e econômica capaz de detonar uma nova fase de desenvolvimento e prover o bem-estar coletivo.
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Em 2005, o Projeto foi um dos selecionados para integrar o Programa Progredir, uma ação do Governo do Estado da Bahia. Atualmente o Projeto é conhecido pelo nome de APL de Moda da Bahia por ter ampliado seu foco de atuação, atendendo as redes empresariais da RMS e de Feira de Santana.
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A reorganização, a coordenação e o planejamento integrado da estrutura produtiva da Península de Itapagipe é essencial para a criação de um novo campo potencial de crescimento, com o objetivo de consolidar a região como centro e marca referencial da indústria da moda baiana, pela consolidação do Arranjo Produtivo Local – APL.
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O incremento da atividade econômica local irá gerar riqueza e empregos, fomentar o turismo de negócios e diminuir diferenças, revertendo o lucro em capital para a própria região e, por conseguinte, para a cidade. Por isso, podemos afirmar que o Projeto do APL de Moda se refere a uma tecnologia social inovadora, na medida em que promove, incentiva e divulga o acesso e a apropriação do conhecimento técnico-científico, de maneira a contribuir para a redução das desigualdades econômicas e sociais no epicentro do APL de Moda da RMS, a Península de Itapagipe.
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*Rosemma Burlacchini Maluf é administradora de empresas, pós-graduada em marketing. Atua como diretora do shopping Bahia Outlet Center e é membro da Diretoria executiva da Associação Comercial da Bahia - ACB, onde coordena a Comissão temática de Comércio.
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Também coordena o Comitê Gestor do Projeto do Arranjo Produtivo Local de Moda do Estado da Bahia – SINDVEST / SECTI / SEBRAE / FIEB e é membro do Conselho de Administração da Fundação Instituto Miguel Calmom de Estudos Sociais e Econômicos – IMIC.